sábado, 12 de junho de 2010

Quando cansamos...

E quando cansamos de esperar? E quando não sabemos como agir? E quando não sabemos se devemos agir ou esperar? E quando não conseguimos nos aquietar? E quando tudo parece ter perdido a razão de ser? E quando até cansamos de querer entender seja lá o que for e tudo que desejamos é conseguir descansar?
Li um livro outro dia que tinha um sub tópico que poucos ousariam escrever, o tópico é: E quando a fé não funciona? Em outras palavras é como dizer e quando quase não acredito mais em Deus? É difícil falar sobre os momentos em que o silencio de Deus nos ensurdece ao ponto de precisarmos contar com a razão sobrenatural que não vemos nem sentimos. Há momentos em que temos certeza que Deus existe por não conseguirmos negar o que já vivemos ou vivenciamos com Ele que gritam por sua existência. Mas se conseguíssemos negar o passado, no presente seria bastante obvio que Ele não existe, ou se existe simplesmente não se importa mais.
Quando estamos em uma situação desesperadora e Deus insiste em permanecer em silencio precisamos nos agarrar a alguma coisa. E quando tudo que ainda temos é Deus e Ele está em silencio?
Há um momento em que o passado que não conseguimos negar passa a ser alvo de questionamentos e olhando para ele com base no presente acabamos decidindo que foi obra do acaso e partindo desta conclusão matamos Deus como se Ele jamais tivesse existido.
Por quê? Por que quando mais precisamos agir com coerência é que nos tornamos mais insanos?
Os momentos em que nos apegamos desesperadamente a Deus e não vemos seu agir, nem ouvimos sua voz, são geralmente momentos nos quais queremos nos eximir da culpa que de alguma forma temos por estar como estamos. Ansiamos desesperadamente que Deus resolva nosso problema, não porque confiamos que Ele pode fazê-lo, mas porque culpamos a Ele. Acreditamos mesmo sem ter consciência disto que foi Ele que nos levou a estar na situação em que estamos. Esquecemos completamente que Deus permite situações trágicas em nossa vida, mas Ele jamais as provoca. Agimos como se Ele tivesse provocado e exigimos que Ele resolva.
Esbaldamo-nos em nosso livre arbítrio e depois agimos como se tudo fosse predestinado. Em última instância o culpado de tudo ainda é Deus, afinal foi Ele quem nos criou e temos a petulância de culpá-lo nem que seja por nossa mente fraca.
Ou Deus não existe, ou se existe é culpado. Tiramos nossa natureza pecaminosa de cena, eliminamos o Diabo que insiste em manipular em iludir em enfraquecer nossa mente. Não culpamos ao Diabo por que acreditamos que Ele esqueceu-se que existíamos quando decidimos viver por Cristo. Ele não se esqueceu apenas passou a agir em silencio, de fora para dentro. Ele manipula circunstancias e eu desatenta escolho me enredar nelas. Ele não tem mais poder para agir em mim e eu descanso como se ele não mais agisse.
Deus sabe exatamente que por mais que duvide dEle por vezes, ainda acredito nEle, nem que seja para culpá-lo. Mas Deus não manipula circunstâncias, Deus não invade minha vida, Deus não intervém onde não há espaço para Ele. Deus está a todo tempo de braços abertos esperando que eu me desarme e vá ao seu encontro descansar enquanto começo a consertar aquilo em que me atrapalhei, enquanto me livro das armadilhas em que caí. Deus espera que eu esteja em seu colo enquanto me perdôo pelas minhas distrações e peço que Ele também me perdoe. Mas para isso o primeiro passo é reconhecer que Ele não é mau, que a culpa não é dEle. Ele pode me ajudar a solucionar assim que deixe de ser culpado.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Um outro de mim

Somos todos iguais, independente de quem sejamos. Mas, se somos iguais por que não conseguimos nos enxergar no outro. Geralmente olhamos o outro como outro e não como um assim como olhamos para nós mesmos. Quando olhamos para nós mesmos nos vemos como um individuo, um ser humano, UM, mas o outro...
É mais fácil olhar para meus iguais enxergando outros e não mesmos de mim. Algumas vezes admiramos aspectos do outro que acreditamos não existirem em nós e este outro então classificamos como um outro especial e eu sou um porque sou comum. Mas esta é a exceção, normalmente o outro é outro porque eu não estou acessível a ele.
Se o outro fosse visto por mim mesma como um outro de mim, eu não conseguiria vê-lo com fome sem alimentá-lo, sem moradia sem abrigá-lo, doente sem socorrê-lo. Mas aí vem todo aquele blá blá blá, se me importar com todos que vejo em necessidade acabo me tornando um deles, pois em pouco tempo não me restará nada, além do que muitos que vivem em situação desagradável fizeram por merecer, afinal estão vivendo a conseqüência de suas escolhas...
Analisando a situação do outro friamente me justifico. Há mil maneiras de se justificar, existem muitos e muitos porquês para eu não lhes estender a mão. Existe uma justificativa clássica: Se eu consegui por meus méritos, se eu conquistei, eu devo usufruir e não dividir, afinal se eu der aos outros nunca aprenderão a conquistar para si.
Enfim, com tantas razões para não fazê-lo, por que mesmo estender a mão para alguém e assim enxergá-lo como um alguém e não como outro? Não é porque ele mereça, nem mesmo porque, mesmo sem admitir, eu sei que ele é tão humano quanto eu. Mas porque aquele que inventou o outro foi o mesmo que inventou o um, e quando os inventou o fez sem distinção, não criou o outro e o um, simplesmente criou o ser humano. Não bastasse isto ainda deixou escrito, que devo amar o outro como amo a mim mesma.
Ah! Jesus não falou o outro, Ele falou o próximo. Ame o teu próximo como a ti mesmo. Talvez Ele disse o próximo porque depois de cada próximo existe outro próximo, mas isso já é assunto para um próximo escrito.