segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Equilíbrio

Equilibrista, de acordo com o dicionário é aquele que mantém o equilíbrio. Mas um equilibrista não nasce equilibrista, ele descobre como se equilibrar e cultiva o hábito de exercitar essa pratica. O exercício continuo que o torna equilibrista.
Há pessoas que desenvolvem equilíbrio com maior facilidade, outras tem mais dificuldade outras ainda tem grande dificuldade. Mas o fato é que o equilíbrio não nasce pronto, é algo que precisa ser aprendido.
O equilibrista de circo ou do calçadão é um personagem que cativa a atenção, mas poucas vezes em meio a admiração percebemos o segredo que este artista traz para nossa vida.
Se queremos ter um corpo saudável precisamos ser equilibrados na alimentação e exercícios físicos. Se almejamos uma vida emocional saudável o segredo é o equilíbrio também. E na vida espiritual também não há nada mais saudável que manter o equilíbrio.
Extremos nunca são saudáveis. Em nenhum dos âmbitos de nossa vida, seja física, mental ou espiritual. Pessoas que levam a espiritualidade ao extremo tornam-se emocionalmente abaladas. Pessoas emocionalmente abaladas tornam-se doentes fisicamente.
Quando falo dos extremos da espiritualidade, falo dos extremos mesmo, de sua nulidade assim como de seu excesso. Uma vida saudável espiritualmente combina uma rotina em que família, trabalho e amigos não são empecilhos ou obstáculos. Em que o local de adoração não é uma construção especifica onde é necessário marcar presença. Uma vida espiritual saudável é aquela que entende que a vida como um todo deve ser de adoração, adorar é viver de forma integra aquilo em que se crê sem impor que aqueles que são de seu convívio façam o mesmo.
Pessoas emocionalmente abaladas não são apenas as pessoa frágeis. Pessoas ríspidas, donas da razão que amedrontam aqueles que estão a sua volta também estão com as emoções frágeis. Diferentes pessoas reagem de diferentes formas ao desequilíbrio emocional. Mas todo desequilíbrio emocional interfere na saúde física, com maior ou menor intensidade, desenvolvendo síndromes meramente psicossomáticas onde a cura quase está no campo do impossível ou desenvolvendo aqueles sintomas físicos tão conhecidos como fadiga, gastrite, insônia, sonolência excessiva, dor de cabeça, dor no corpo, dor... Emoções desequilibradas causam dor.
Pessoas com a saúde física debilitada são vulneráveis a abalos emocionais e espirituais. A dor desequilibra, seja ela em que campo for.
Uma vida desequilibrada espiritualmente desequilibra o emocional e o físico. Uma vida desequilibrada fisicamente pode desequilibrar o emocional e o espiritual. Mas uma vida espiritualmente equilibrada pode equilibrar emoções e saúde física. Já uma vida fisicamente saudável não interfere em emoções abaladas nem na espiritualidade.
O segredo do perfeito equilíbrio começa em colocar em ordem a vida espiritual. E cuidar das emoções e saúde física com o mesmo zelo. Corpo, mente/alma, e espírito saudáveis: o segredo é aprender a ser equilibrista somos formados por um conjunto e precisamos vive-lo por completo e não apenas uma ou duas de suas partes.
Deus Pai, Deus filho e Deus Espírito Santo são três seres distintos, mas sua harmonia nos mostra que sua essência é apenas uma. Os três são apenas Um. Nossa constituição humana é de apenas um ser composto por três partes, alma, corpo e espírito e precisamos de harmonia entre as três partes para que sejamos saudáveis. Não precisamos ser mestres em explicar como funciona a trindade divina basta crer e saber que Deus nos deixou as diretrizes completas de como viver uma vida equilibrada por escrito. A Bíblia, ou o manual de sobrevivência humana saudável na terra é composto por histórias, poesias, livros de sabedoria e instrução que englobam a vida humana como um todo, não há aspecto humano que fuja as orientações ali contidas. É um livro que nunca fica desatualizado, pois independentemente de quanto os aspectos físicos do mundo evoluam a essência do ser humano continua sendo a mesma e independente do momento histórico em o livro sagrado foi escrito e o que vivemos hoje, as instruções bíblicas não são baseadas em momentos históricos e sim em seres humanos independente de lugar ou momento em que viva.

domingo, 15 de agosto de 2010

Amor Capitalista

Todos buscamos o amor, procuramos amar, desejamos ser amados.
Nem sempre demonstramos nosso amor de forma que o ser a quem amamos sinta-se realmente amado, mas continuamos amando. E desta mesma forma muitas vezes somos amados e não nos sentimos amados. O amor não é um sentimento, nós humanos somos sensitivos e ansiamos pelo sentir. Mas o verdadeiro amor nem sempre vem envolto de magníficas sensações. Sabemos que Deus nos ama, que nos ama extremamente ao ponto de sacrificar a vida de um filho por amor a mim e a você. Eu sei, você sabe disso, mas por que não consigo muitas vezes me sentir amada? Geralmente encaramos o amor do outro por nós como se fosse um mérito, eu o conquistei por isso ele me ama, tenho qualidades que despertam o interesse do outro e em contrapartida o outro me ama. Mas quando falamos em Deus, não há nada que eu possa fazer ou ser para merecer o amor que Ele tem por mim. Ao me sentir indigna do amor de Deus por muitas vezes acabo não aceitando seu amor por mim.
Veja só como somos contraditórios, ansiamos ser amados e Deus nos ama, mas muitas vezes não aceitamos o amor de Deus porque sabemos que não o merecemos. Somos capitalistas até mesmo para amar e receber amor. O amor de Deus é de graça. Mas qual é a relação do capitalista com aquilo que é de graça? Se é graça, meu dinheiro não compra, se é de graça, não consigo negociar, se não consigo negociar, não consigo valorizar, e se não valorizo... é inevitável desprezo!!
Ansiamos por amor, mas somos extremamente capitalistas. Amor não se compra, não se troca, não se negocia. O amor de Deus é acessível a todos e da mesma forma que nós desejamos ser amados, Deus deseja que nos sintamos amados. Ele nos ama, mas seu amor é de Graça. Para me sentir amada, preciso aceitar a graça, entender que jamais vou merecer e jamais vou perder este amor, Deus me ama e pronto. Me ama quando me sinto amada e ama quando não me sinto amada, me ama quando o amo e me ama quando esqueço que ele existe e anseia por minha presença, me ama quando estou de bem com a vida e ama quando não estou. Me ama quando erro e me ama quando acerto. Amor de Deus é amor incondicional, não há condição o que há é AMOR, em todo tempo em qualquer circunstancia Deus me ama. Preciso ser amada e Deus me ama!!!
Tudo que preciso então para me sentir amada é deixar de ser capitalista no que diz respeito ao amor, assim sentirei o amor do Pai, o amor de Deus e conseqüentemente meus relacionamentos também serão melhores, pois aprenderei amar sem cobrar por este amor e saberei ser amada sem me sentir devedora.

domingo, 18 de julho de 2010

Silêncio e Obediência

Há um momento em que a frustração diante do que Deus nos pede é tamanha que não conseguimos disfarçar, não conseguimos sorrir, não conseguimos fazer de conta que achamos normal o pedido que Deus está nos fazendo. Abraão compreende bem o que estou dizendo e ensina-nos a como agir, quando Deus nos faz pedidos absurdamente descabidos.
Deus pediu a Abraão que sacrificasse seu filho, seu único filho legitimo, O filho da promessa. Promessa? O filho da promessa, o filho que o próprio Deus havia lhe prometido e milagrosamente concedido.
O que Abraão pensou diante do pedido de Deus? Provavelmente o que nós também pensamos – Deus ficou louco?? Onde é que ele quer chegar com isso?? Independente do Abraão tenha pensado precisamos estar cientes de como ele agiu.
O que Deus pediu era absurdo, portanto Abraão não alardeou, permaneceu em silêncio, guardou para si, Deus fez um pedido pessoal e Abraão manteve em sigilo. Abraão achou absurdo, mas ainda assim obedeceu. Abraão conhecia Deus o suficiente para saber que não precisava entender o que Deus estava fazendo, precisava apenas continuar crendo que Deus continuava sendo o Senhor do Saber, afinal que Deus era Deus e ponto final e que independente do que pudesse pensar a respeito, ele era apenas um homem e como tal mesmo sem entender estaria muito mais seguro obedecendo que entendendo.
Guardar silêncio e obedecer. Parece tão obvio e tão simples... mas raramente conseguimos seguir este exemplo. Se achamos que Deus está pedindo algum absurdo queremos ouvir uma segunda opinião. Em vez de obedecer prontamente preferimos argumentar com Deus na tentativa absurda de uma negociação.
Se ainda estamos vivos devemos muito a graça e misericórdia de Deus que não nos fulmina quando tentamos negociar com ele como de igual para igual.
Falta-nos muitas vezes a compreensão de quem afinal é Deus, gostamos tanto de ter o controle absoluto da situação que muitas vezes quando Deus, mostra-se Deus em nossa vida – resistimos a Ele, pois perdemos o controle da situação.
Muitas vezes quando Deus nos pede algo absurdo é por razoes muito simples. Ele está apenas nos pedindo para que o devolvamos o lugar que é dEle. Deus não tem interesse na morte de Isaque, quer apenas ter de volta o lugar que Isaque tem ocupado, lugar que não pertence a Isaque. O Problema de Deus não é com Isaque é com Abraão que colocou Isaque onde este não deveria estar.
Isaque é o presente de Deus, e Deus não deseja destruir a promessa, deseja apenas que as coisas estejam em seu devido lugar, para que assim cumpra-se a promessa de forma integral.
O nascimento de Isaque sinaliza o inicio do cumprimento da promessa, mais há um longo percurso até que este gere seus próprios filhos. Assim como sua mãe sua esposa, aquela escolhida por Deus com este propósito, também é estéril. Duas gerações de mulheres estéreis são parte do plano de Deus para gerar uma nação.
Quem gera é Deus não somos nós, Deus prova quem Ele é pelo modo que faz as coisas absurdamente, para que compreendemos que somos apenas instrumentos em suas mãos e para o sermos precisamos confiar no que Ele nos pede para fazer ao invés de fazermos por conta própria.
Abraão poderia apoderar-se da promessa de que seria pai de uma grande nação abandonando a Sara após o nascimento de Ismael. Poderia tomar Hagar por esposa e gerar sua descendência. Sabemos que este não era o propósito de Deus, mas Abraão teria a alegação de que estava cumprindo a promessa de Deus de gerar uma grande nação. Se Abraão escolhesse cumprir por sua própria metodologia a promessa de Deus. Deus por sua vez procuraria por um outro alguém que estivesse realmente disponível para ter fé e obedecer.
Abraão poderia achar que estava no caminho correto mas provavelmente hoje nenhum de nós saberia que existiu um homem chamado Abraão.
Por vezes olhamos para o lado e vemos promessas que eram nossas se cumprindo em outras vidas e temos a ousadia de reclamar com Deus. Deus deseja cumprir suas promessas em nós, mas para isso precisamos obedecer e não agir por conta própria, alardeando que estamos cumprindo as promessas de Deus.

sábado, 12 de junho de 2010

Quando cansamos...

E quando cansamos de esperar? E quando não sabemos como agir? E quando não sabemos se devemos agir ou esperar? E quando não conseguimos nos aquietar? E quando tudo parece ter perdido a razão de ser? E quando até cansamos de querer entender seja lá o que for e tudo que desejamos é conseguir descansar?
Li um livro outro dia que tinha um sub tópico que poucos ousariam escrever, o tópico é: E quando a fé não funciona? Em outras palavras é como dizer e quando quase não acredito mais em Deus? É difícil falar sobre os momentos em que o silencio de Deus nos ensurdece ao ponto de precisarmos contar com a razão sobrenatural que não vemos nem sentimos. Há momentos em que temos certeza que Deus existe por não conseguirmos negar o que já vivemos ou vivenciamos com Ele que gritam por sua existência. Mas se conseguíssemos negar o passado, no presente seria bastante obvio que Ele não existe, ou se existe simplesmente não se importa mais.
Quando estamos em uma situação desesperadora e Deus insiste em permanecer em silencio precisamos nos agarrar a alguma coisa. E quando tudo que ainda temos é Deus e Ele está em silencio?
Há um momento em que o passado que não conseguimos negar passa a ser alvo de questionamentos e olhando para ele com base no presente acabamos decidindo que foi obra do acaso e partindo desta conclusão matamos Deus como se Ele jamais tivesse existido.
Por quê? Por que quando mais precisamos agir com coerência é que nos tornamos mais insanos?
Os momentos em que nos apegamos desesperadamente a Deus e não vemos seu agir, nem ouvimos sua voz, são geralmente momentos nos quais queremos nos eximir da culpa que de alguma forma temos por estar como estamos. Ansiamos desesperadamente que Deus resolva nosso problema, não porque confiamos que Ele pode fazê-lo, mas porque culpamos a Ele. Acreditamos mesmo sem ter consciência disto que foi Ele que nos levou a estar na situação em que estamos. Esquecemos completamente que Deus permite situações trágicas em nossa vida, mas Ele jamais as provoca. Agimos como se Ele tivesse provocado e exigimos que Ele resolva.
Esbaldamo-nos em nosso livre arbítrio e depois agimos como se tudo fosse predestinado. Em última instância o culpado de tudo ainda é Deus, afinal foi Ele quem nos criou e temos a petulância de culpá-lo nem que seja por nossa mente fraca.
Ou Deus não existe, ou se existe é culpado. Tiramos nossa natureza pecaminosa de cena, eliminamos o Diabo que insiste em manipular em iludir em enfraquecer nossa mente. Não culpamos ao Diabo por que acreditamos que Ele esqueceu-se que existíamos quando decidimos viver por Cristo. Ele não se esqueceu apenas passou a agir em silencio, de fora para dentro. Ele manipula circunstancias e eu desatenta escolho me enredar nelas. Ele não tem mais poder para agir em mim e eu descanso como se ele não mais agisse.
Deus sabe exatamente que por mais que duvide dEle por vezes, ainda acredito nEle, nem que seja para culpá-lo. Mas Deus não manipula circunstâncias, Deus não invade minha vida, Deus não intervém onde não há espaço para Ele. Deus está a todo tempo de braços abertos esperando que eu me desarme e vá ao seu encontro descansar enquanto começo a consertar aquilo em que me atrapalhei, enquanto me livro das armadilhas em que caí. Deus espera que eu esteja em seu colo enquanto me perdôo pelas minhas distrações e peço que Ele também me perdoe. Mas para isso o primeiro passo é reconhecer que Ele não é mau, que a culpa não é dEle. Ele pode me ajudar a solucionar assim que deixe de ser culpado.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Um outro de mim

Somos todos iguais, independente de quem sejamos. Mas, se somos iguais por que não conseguimos nos enxergar no outro. Geralmente olhamos o outro como outro e não como um assim como olhamos para nós mesmos. Quando olhamos para nós mesmos nos vemos como um individuo, um ser humano, UM, mas o outro...
É mais fácil olhar para meus iguais enxergando outros e não mesmos de mim. Algumas vezes admiramos aspectos do outro que acreditamos não existirem em nós e este outro então classificamos como um outro especial e eu sou um porque sou comum. Mas esta é a exceção, normalmente o outro é outro porque eu não estou acessível a ele.
Se o outro fosse visto por mim mesma como um outro de mim, eu não conseguiria vê-lo com fome sem alimentá-lo, sem moradia sem abrigá-lo, doente sem socorrê-lo. Mas aí vem todo aquele blá blá blá, se me importar com todos que vejo em necessidade acabo me tornando um deles, pois em pouco tempo não me restará nada, além do que muitos que vivem em situação desagradável fizeram por merecer, afinal estão vivendo a conseqüência de suas escolhas...
Analisando a situação do outro friamente me justifico. Há mil maneiras de se justificar, existem muitos e muitos porquês para eu não lhes estender a mão. Existe uma justificativa clássica: Se eu consegui por meus méritos, se eu conquistei, eu devo usufruir e não dividir, afinal se eu der aos outros nunca aprenderão a conquistar para si.
Enfim, com tantas razões para não fazê-lo, por que mesmo estender a mão para alguém e assim enxergá-lo como um alguém e não como outro? Não é porque ele mereça, nem mesmo porque, mesmo sem admitir, eu sei que ele é tão humano quanto eu. Mas porque aquele que inventou o outro foi o mesmo que inventou o um, e quando os inventou o fez sem distinção, não criou o outro e o um, simplesmente criou o ser humano. Não bastasse isto ainda deixou escrito, que devo amar o outro como amo a mim mesma.
Ah! Jesus não falou o outro, Ele falou o próximo. Ame o teu próximo como a ti mesmo. Talvez Ele disse o próximo porque depois de cada próximo existe outro próximo, mas isso já é assunto para um próximo escrito.

sábado, 22 de maio de 2010

Qual é minha motivação em ser cristã?

Jesus não prometeu riquezas, nem mesmo foi este o povo com quem conviveu diariamente. Jesus não curou a todos os doentes pelos quais passou. E em momento algum prometeu saúde física. E em momento algum prometeu uma alma constantemente saudável.
Minha tendência é sempre buscar o melhor para mim, para minha família, para aqueles que amo em primeira instância. Acho que isto é praticamente um instinto, pelo que observo a minha volta não sou a única a agir assim.
Quando nos tornamos verdadeiros cristãos, acho que para maioria de nós o principal atrativo é a leveza de alma que sentimos. O primeiro contato real que temos com Jesus Cristo tem o efeito da fluoxetina (medicamento utilizado no tratamento de depressão em estado inicial). Nos sentimos leves, nada é capaz de abalar nossa serenidade. Mas com o passar do tempo o efeito passa. No caso da depressão se não buscarmos lidar com a causa e tratarmos das questões que nos afligem de perto, encarando-as pelo nome, o resultado passa a ser desastroso. Aquela primeira dosagem da fluoxetina passa a não suficiente, precisamos aumentar a dose, depois precisamos mexer mais uma vez nos miligramas, mais adiante um pouco precisamos mudar a droga, alterar o medicamento injetor de ânimo. Enquanto não encararmos os fatos e não buscarmos ajuda especializada além da medicina medicamentosa, a tendência é a de nos mantermos vivos ao invés de viver. Muitas vezes optamos por ser meros sobreviventes quando temos a oportunidade de sermos Vivos, cheios de vida.
Já na linguagem cristã, quando percebemos o fim desta leveza inicial, costumamos dizer que acabou o primeiro amor. A diferença do que acontece na depressão é que não existe um outro Jesus para trocarmos quando tivermos esgotado com as doses receitadas. Mas e então o que fazer?
Muitas vezes entramos numa busca intensa de voltar ao primeiro amor e tentamos nos reconverter e por vezes sentimos pequenos lampejos da sensação inicial, mas são apenas lampejos que logo se vão. Novamente pergunto, o que fazer estão?
Há algo que demoramos a descobrir, conhecemos a Jesus, nos entregamos ao cristianismo e continuamos buscando dentro desta nova vida aquilo que sempre estivemos buscando: O que é melhor para mim.
Vamos a igreja, freqüentamos todos os cultos, congressos, estudamos a bíblia, nos formamos em teologia, oramos com sinceridade. Mas são ínfimos os momentos em que não somos nós mesmos o foco de tudo isto.
Em momento nenhum na vida de Jesus percebemos Ele se colocando em foco isolado, o foco de Jesus era cumprir a vontade, não sua, mas de seu Pai. No momento de maior tensão de sua vida terrena Ele verbalizou: “Se possível, passe de mim este cálice; mas seja feita a Tua vontade.”
Quando optamos por sermos cristãos, quando decidimos ser missionários, pastores, são os momentos de lampejo em que nos lembramos que não é a minha vontade, afinal o que Jesus ensina é que quem quiser segui-lo, deve morrer para si mesmo, tomar a cruz e seguir. Mas se há um povo capaz de viver sob “milagres” constantes somos justamente nós, ao invés de morrermos a cada novo dia somos muito mais capazes de ressuscitar a cada novo dia, ressuscitamos a nossa vontade e tentamos conciliá-la com a de Deus.Nos decepcionamos com a Igreja, nos decepcionamos com o Cristianismo, nos decepcionamos com Deus. Quando tudo o que precisamos é nos decepcionarmos conosco mesmo e esta decepção deve ser profunda ao ponto de desejarmos morrer. É neste ponto quando decidimos morrer que Cristo pode novamente viver plenamente em nós, não obedecendo as nossas vontades mas levando-nos a obedecer a Sua. Enquanto permanecemos conscientes disto, permanecemos com aquela primeira sensação, de uma alma leve, do primeiro e Verdadeiro Amor.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

O idealizado ou o possível

Difícil explicar porque nunca desistimos de buscar aquilo que sabemos que nunca encontraremos, pelo menos não em nós mesmos. Todos sabemos que a perfeição não está ao nosso alcance, mas... continuamos mesmo sem perceber insistindo em demonstrar que se não somos perfeitos somos melhores que àqueles a quem nos exibimos. Um dia descobrimos que por maiores que sejam nossos esforços, aqueles que convivem conosco de perto sempre saberão que não somos nem jamais seremos perfeitos em nada do que fazemos nem mesmo naquilo em que somos os melhores, somos apenas melhores e isto no momento. Demoramos, mas descobrimos que não somos perfeitos em nada, mas ainda assim insistimos em exigir que os que estão ao nosso redor, principalmente se de alguma forma forem subordinados a nós o sejam. E geralmente quando queremos perfeição do outro não é exatamente em beneficio do outro mas sim de alguma forma em beneficio próprio.
Em dado momento percebemos que não somos o centro do universo, e para completar percebemos que nem mesmo com esta constatação conseguimos deixar de ser egoístas. Muitas vezes quando somos protagonistas de um feito digno de Tereza de Calcutá, nossa primeira reação é digna de perder o mérito da ação. Quando nos damos conta de que fomos bons em alguma coisa seja ela qual for queremos ser reconhecidos por nosso feito.
Buscamos perfeição, nos deparamos com o egoísmo. Procuramos alternativas para viver bem, viver bem com quem somos, com o que nos tornamos. A principal busca do ser humano é pela paz de sua alma. Acreditando ou não que ela exista. Do assassino violento ao zen espiritualizado. Todos procuram aplacar algo. Alguns procuram terapia, outros procuram não procurar, outros ainda procuram não pensar. Os caminhos procurados são inúmeros, indescritíveis. E afinal qual a solução ideal?
A simplicidade muitas vezes complica-se por sua insistência obvia em ser simples.
A solução é sempre a verdade.
Ser perfeito é impossível, ser verdadeiro está ao alcance de todos. Estar satisfeito com quem somos ou temos é possível para poucos, mas ainda assim ser verdadeiro é possível para todos.
Conhecereis a Verdade e a Verdade vós libertará. João 8:32
Eu sou o caminho, a verdade e a vida. João 14:6a

A verdade está registrada há séculos e está acessível. Ela não foi descoberta por nenhum cientista de nossa era e talvez até mesmo por isso resistimos tanto à ela.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Algumas questões...

Algumas perguntas nunca terão uma resposta conclusiva. Mas apesar de sabermos deste fato, sabendo assim que teremos que aprender a viver sem estas respostas, não conseguimos viver sem lembrar das perguntas.
Por que algumas coisas são assim? Nunca saberemos. Algumas pessoas ao se depararem com tais questões, farão delas a razão de sua existência, procurando, estudando, trabalhando uma forma de desvendá-las. Outras dividirão seu tempo entre suas atividades cotidianas e a busca de resposta a tais questões. Outras ainda darão de cara com tais questões e ao perceberem o grau de dificuldade, às encararão como grandes questões, no entanto não se dedicarão a elas. Ainda outras assim que virem o ponto de interrogação desviarão o seu olhar e seguirão com suas vidas. Estas últimas são as que menos sofrerão.
O primeiro grupo descobrirá coisas surpreendentes pelo caminho, mas nunca descobrirá o que realmente busca. O segundo grupo irá pelo mesmo caminho. O terceiro grupo permanecerá curioso e atento a fatos relacionados. E o quarto se lembrará que a questão existe. Independente da reação de cada um diante da questão, todos obterão a mesma resposta, alguns com mais conteúdo e outros sem conteúdo algum, mas ainda assim a resposta é a mesma para todos: nenhuma.
Mas afinal, que questão é esta? Que é assim tão importante e assim tão impossível??
A questão é tão simples quanto complexa e geralmente vem acompanhada. Elas geralmente são bem pessoais, às vezes dizem respeito a um grupo ou sub-grupo. Enfim, são aquelas questões que todos possuem e geralmente as minhas não são as suas.
Muitas vezes uma resposta prática e obvia para mim é uma questão indecifrável para você e assim sucessivamente.
Apesar de sofrerem menos aqueles que desviam os olhos das interrogações, considero mais sábios os que prestam à elas alguma atenção. Desviar o olhar muitas vezes é um convite a não pensar e quando deixamos de pensar gradativamente deixamos de viver. Pelo menos o viver de forma racional, que afinal é o nosso diferencial.
Lembrando sempre que tudo que é excessivo se torna prejudicial e isto inclui o pensamento racional.