domingo, 18 de julho de 2010

Silêncio e Obediência

Há um momento em que a frustração diante do que Deus nos pede é tamanha que não conseguimos disfarçar, não conseguimos sorrir, não conseguimos fazer de conta que achamos normal o pedido que Deus está nos fazendo. Abraão compreende bem o que estou dizendo e ensina-nos a como agir, quando Deus nos faz pedidos absurdamente descabidos.
Deus pediu a Abraão que sacrificasse seu filho, seu único filho legitimo, O filho da promessa. Promessa? O filho da promessa, o filho que o próprio Deus havia lhe prometido e milagrosamente concedido.
O que Abraão pensou diante do pedido de Deus? Provavelmente o que nós também pensamos – Deus ficou louco?? Onde é que ele quer chegar com isso?? Independente do Abraão tenha pensado precisamos estar cientes de como ele agiu.
O que Deus pediu era absurdo, portanto Abraão não alardeou, permaneceu em silêncio, guardou para si, Deus fez um pedido pessoal e Abraão manteve em sigilo. Abraão achou absurdo, mas ainda assim obedeceu. Abraão conhecia Deus o suficiente para saber que não precisava entender o que Deus estava fazendo, precisava apenas continuar crendo que Deus continuava sendo o Senhor do Saber, afinal que Deus era Deus e ponto final e que independente do que pudesse pensar a respeito, ele era apenas um homem e como tal mesmo sem entender estaria muito mais seguro obedecendo que entendendo.
Guardar silêncio e obedecer. Parece tão obvio e tão simples... mas raramente conseguimos seguir este exemplo. Se achamos que Deus está pedindo algum absurdo queremos ouvir uma segunda opinião. Em vez de obedecer prontamente preferimos argumentar com Deus na tentativa absurda de uma negociação.
Se ainda estamos vivos devemos muito a graça e misericórdia de Deus que não nos fulmina quando tentamos negociar com ele como de igual para igual.
Falta-nos muitas vezes a compreensão de quem afinal é Deus, gostamos tanto de ter o controle absoluto da situação que muitas vezes quando Deus, mostra-se Deus em nossa vida – resistimos a Ele, pois perdemos o controle da situação.
Muitas vezes quando Deus nos pede algo absurdo é por razoes muito simples. Ele está apenas nos pedindo para que o devolvamos o lugar que é dEle. Deus não tem interesse na morte de Isaque, quer apenas ter de volta o lugar que Isaque tem ocupado, lugar que não pertence a Isaque. O Problema de Deus não é com Isaque é com Abraão que colocou Isaque onde este não deveria estar.
Isaque é o presente de Deus, e Deus não deseja destruir a promessa, deseja apenas que as coisas estejam em seu devido lugar, para que assim cumpra-se a promessa de forma integral.
O nascimento de Isaque sinaliza o inicio do cumprimento da promessa, mais há um longo percurso até que este gere seus próprios filhos. Assim como sua mãe sua esposa, aquela escolhida por Deus com este propósito, também é estéril. Duas gerações de mulheres estéreis são parte do plano de Deus para gerar uma nação.
Quem gera é Deus não somos nós, Deus prova quem Ele é pelo modo que faz as coisas absurdamente, para que compreendemos que somos apenas instrumentos em suas mãos e para o sermos precisamos confiar no que Ele nos pede para fazer ao invés de fazermos por conta própria.
Abraão poderia apoderar-se da promessa de que seria pai de uma grande nação abandonando a Sara após o nascimento de Ismael. Poderia tomar Hagar por esposa e gerar sua descendência. Sabemos que este não era o propósito de Deus, mas Abraão teria a alegação de que estava cumprindo a promessa de Deus de gerar uma grande nação. Se Abraão escolhesse cumprir por sua própria metodologia a promessa de Deus. Deus por sua vez procuraria por um outro alguém que estivesse realmente disponível para ter fé e obedecer.
Abraão poderia achar que estava no caminho correto mas provavelmente hoje nenhum de nós saberia que existiu um homem chamado Abraão.
Por vezes olhamos para o lado e vemos promessas que eram nossas se cumprindo em outras vidas e temos a ousadia de reclamar com Deus. Deus deseja cumprir suas promessas em nós, mas para isso precisamos obedecer e não agir por conta própria, alardeando que estamos cumprindo as promessas de Deus.