sábado, 22 de maio de 2010

Qual é minha motivação em ser cristã?

Jesus não prometeu riquezas, nem mesmo foi este o povo com quem conviveu diariamente. Jesus não curou a todos os doentes pelos quais passou. E em momento algum prometeu saúde física. E em momento algum prometeu uma alma constantemente saudável.
Minha tendência é sempre buscar o melhor para mim, para minha família, para aqueles que amo em primeira instância. Acho que isto é praticamente um instinto, pelo que observo a minha volta não sou a única a agir assim.
Quando nos tornamos verdadeiros cristãos, acho que para maioria de nós o principal atrativo é a leveza de alma que sentimos. O primeiro contato real que temos com Jesus Cristo tem o efeito da fluoxetina (medicamento utilizado no tratamento de depressão em estado inicial). Nos sentimos leves, nada é capaz de abalar nossa serenidade. Mas com o passar do tempo o efeito passa. No caso da depressão se não buscarmos lidar com a causa e tratarmos das questões que nos afligem de perto, encarando-as pelo nome, o resultado passa a ser desastroso. Aquela primeira dosagem da fluoxetina passa a não suficiente, precisamos aumentar a dose, depois precisamos mexer mais uma vez nos miligramas, mais adiante um pouco precisamos mudar a droga, alterar o medicamento injetor de ânimo. Enquanto não encararmos os fatos e não buscarmos ajuda especializada além da medicina medicamentosa, a tendência é a de nos mantermos vivos ao invés de viver. Muitas vezes optamos por ser meros sobreviventes quando temos a oportunidade de sermos Vivos, cheios de vida.
Já na linguagem cristã, quando percebemos o fim desta leveza inicial, costumamos dizer que acabou o primeiro amor. A diferença do que acontece na depressão é que não existe um outro Jesus para trocarmos quando tivermos esgotado com as doses receitadas. Mas e então o que fazer?
Muitas vezes entramos numa busca intensa de voltar ao primeiro amor e tentamos nos reconverter e por vezes sentimos pequenos lampejos da sensação inicial, mas são apenas lampejos que logo se vão. Novamente pergunto, o que fazer estão?
Há algo que demoramos a descobrir, conhecemos a Jesus, nos entregamos ao cristianismo e continuamos buscando dentro desta nova vida aquilo que sempre estivemos buscando: O que é melhor para mim.
Vamos a igreja, freqüentamos todos os cultos, congressos, estudamos a bíblia, nos formamos em teologia, oramos com sinceridade. Mas são ínfimos os momentos em que não somos nós mesmos o foco de tudo isto.
Em momento nenhum na vida de Jesus percebemos Ele se colocando em foco isolado, o foco de Jesus era cumprir a vontade, não sua, mas de seu Pai. No momento de maior tensão de sua vida terrena Ele verbalizou: “Se possível, passe de mim este cálice; mas seja feita a Tua vontade.”
Quando optamos por sermos cristãos, quando decidimos ser missionários, pastores, são os momentos de lampejo em que nos lembramos que não é a minha vontade, afinal o que Jesus ensina é que quem quiser segui-lo, deve morrer para si mesmo, tomar a cruz e seguir. Mas se há um povo capaz de viver sob “milagres” constantes somos justamente nós, ao invés de morrermos a cada novo dia somos muito mais capazes de ressuscitar a cada novo dia, ressuscitamos a nossa vontade e tentamos conciliá-la com a de Deus.Nos decepcionamos com a Igreja, nos decepcionamos com o Cristianismo, nos decepcionamos com Deus. Quando tudo o que precisamos é nos decepcionarmos conosco mesmo e esta decepção deve ser profunda ao ponto de desejarmos morrer. É neste ponto quando decidimos morrer que Cristo pode novamente viver plenamente em nós, não obedecendo as nossas vontades mas levando-nos a obedecer a Sua. Enquanto permanecemos conscientes disto, permanecemos com aquela primeira sensação, de uma alma leve, do primeiro e Verdadeiro Amor.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

O idealizado ou o possível

Difícil explicar porque nunca desistimos de buscar aquilo que sabemos que nunca encontraremos, pelo menos não em nós mesmos. Todos sabemos que a perfeição não está ao nosso alcance, mas... continuamos mesmo sem perceber insistindo em demonstrar que se não somos perfeitos somos melhores que àqueles a quem nos exibimos. Um dia descobrimos que por maiores que sejam nossos esforços, aqueles que convivem conosco de perto sempre saberão que não somos nem jamais seremos perfeitos em nada do que fazemos nem mesmo naquilo em que somos os melhores, somos apenas melhores e isto no momento. Demoramos, mas descobrimos que não somos perfeitos em nada, mas ainda assim insistimos em exigir que os que estão ao nosso redor, principalmente se de alguma forma forem subordinados a nós o sejam. E geralmente quando queremos perfeição do outro não é exatamente em beneficio do outro mas sim de alguma forma em beneficio próprio.
Em dado momento percebemos que não somos o centro do universo, e para completar percebemos que nem mesmo com esta constatação conseguimos deixar de ser egoístas. Muitas vezes quando somos protagonistas de um feito digno de Tereza de Calcutá, nossa primeira reação é digna de perder o mérito da ação. Quando nos damos conta de que fomos bons em alguma coisa seja ela qual for queremos ser reconhecidos por nosso feito.
Buscamos perfeição, nos deparamos com o egoísmo. Procuramos alternativas para viver bem, viver bem com quem somos, com o que nos tornamos. A principal busca do ser humano é pela paz de sua alma. Acreditando ou não que ela exista. Do assassino violento ao zen espiritualizado. Todos procuram aplacar algo. Alguns procuram terapia, outros procuram não procurar, outros ainda procuram não pensar. Os caminhos procurados são inúmeros, indescritíveis. E afinal qual a solução ideal?
A simplicidade muitas vezes complica-se por sua insistência obvia em ser simples.
A solução é sempre a verdade.
Ser perfeito é impossível, ser verdadeiro está ao alcance de todos. Estar satisfeito com quem somos ou temos é possível para poucos, mas ainda assim ser verdadeiro é possível para todos.
Conhecereis a Verdade e a Verdade vós libertará. João 8:32
Eu sou o caminho, a verdade e a vida. João 14:6a

A verdade está registrada há séculos e está acessível. Ela não foi descoberta por nenhum cientista de nossa era e talvez até mesmo por isso resistimos tanto à ela.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Algumas questões...

Algumas perguntas nunca terão uma resposta conclusiva. Mas apesar de sabermos deste fato, sabendo assim que teremos que aprender a viver sem estas respostas, não conseguimos viver sem lembrar das perguntas.
Por que algumas coisas são assim? Nunca saberemos. Algumas pessoas ao se depararem com tais questões, farão delas a razão de sua existência, procurando, estudando, trabalhando uma forma de desvendá-las. Outras dividirão seu tempo entre suas atividades cotidianas e a busca de resposta a tais questões. Outras ainda darão de cara com tais questões e ao perceberem o grau de dificuldade, às encararão como grandes questões, no entanto não se dedicarão a elas. Ainda outras assim que virem o ponto de interrogação desviarão o seu olhar e seguirão com suas vidas. Estas últimas são as que menos sofrerão.
O primeiro grupo descobrirá coisas surpreendentes pelo caminho, mas nunca descobrirá o que realmente busca. O segundo grupo irá pelo mesmo caminho. O terceiro grupo permanecerá curioso e atento a fatos relacionados. E o quarto se lembrará que a questão existe. Independente da reação de cada um diante da questão, todos obterão a mesma resposta, alguns com mais conteúdo e outros sem conteúdo algum, mas ainda assim a resposta é a mesma para todos: nenhuma.
Mas afinal, que questão é esta? Que é assim tão importante e assim tão impossível??
A questão é tão simples quanto complexa e geralmente vem acompanhada. Elas geralmente são bem pessoais, às vezes dizem respeito a um grupo ou sub-grupo. Enfim, são aquelas questões que todos possuem e geralmente as minhas não são as suas.
Muitas vezes uma resposta prática e obvia para mim é uma questão indecifrável para você e assim sucessivamente.
Apesar de sofrerem menos aqueles que desviam os olhos das interrogações, considero mais sábios os que prestam à elas alguma atenção. Desviar o olhar muitas vezes é um convite a não pensar e quando deixamos de pensar gradativamente deixamos de viver. Pelo menos o viver de forma racional, que afinal é o nosso diferencial.
Lembrando sempre que tudo que é excessivo se torna prejudicial e isto inclui o pensamento racional.