sábado, 8 de janeiro de 2011

Milagres ou Graça?

Não é necessário escolher um ou outro, nosso Deus é quem provê ambos. No entanto muitas vezes me canso dos caçadores de milagres assim como há muito tempo já me cansei dos milagreiros. Os milagres são fatos, já vi e convivi com muitos, já presenciei curas e creio no Deus que cura. No entanto não tenho a menor paciência com receitinhas que levam a qualquer coisa que vem de Deus.
Outro dia ouvi um cidadão ministrando cura, ele esbravejava que o agente da cura é única e exclusivamente a fé. Tudo bem, afinal se me faltar fé passo a desacreditar em Deus. Mas a certa altura da falação o cidadão ousou dizer que intimidade e comunhão com Deus são menos importantes, afinal somente a fé cura e a intimidade e a comunhão com Deus não o fazem.
Neste ponto passei a pensar em como inescrupulosamente as pessoas usam os dons que recebem de Deus, para se sobressair aos demais irmãos, fazem uma escala do que é ou não importante.
Pense comigo, pode alguém ter intimidade e comunhão com Deus sem ter fé? Pode alguém orar a Deus diariamente clamando por cura, sem crer que ela ocorrerá? E se esta cura não ocorrer posso categoricamente afirmar que não houve fé?
Sabe, ao contrario deste cristianismo infantil que se vive por aí, eu tenho muita dificuldade em acreditar que eu sou quem determina o que Deus fará. O meu Deus é um Deus todo poderoso, portanto pode tudo a qualquer tempo independente do que eu faça ou deixe de fazer, independente de minha fé, Ele pode ou não curar. O meu Deus conhece mais de mim do que eu mesma.
Paulo, personagem bíblico, clamou a Deus que fosse liberto de um espinho na carne, mas em determinado momento ele compreendeu que não era uma cura que ele precisava, mas que a Graça de Deus lhe bastava.
Na minha opinião a fé que necessito para ser curada e bem menor do que a fé que necessito para ter intimidade com um Deus que eu sei que pode me curar, mas não me curou. Acredito que é necessário muito mais fé para crer no amor e bondade deste Deus, que me diz que pela sua graça posso conviver com minha doença, adorar e exaltar seu nome dedicando minha vida ainda que enferma para honrar e glorificar seu nome.
Se fosse preciso escolher, eu não trocaria a fé que me leva a ter intimidade com Deus, pela fé que me traga um milagre. Prefiro a intimidade regada pela dose diária de graça.